Meu filho troca letras. É normal na idade dele?
Maria Clara Martins Pace · fonoaudióloga · 12 de agosto de 2026
É a pergunta que mais chega no nosso WhatsApp, quase sempre depois de uma conversa com a professora. E a resposta honesta é: depende da idade e de qual som.
Trocar sons faz parte do caminho. Nenhuma criança acorda um dia falando tudo certo — ela vai conquistando os sons aos poucos, e alguns demoram mais que outros por um motivo simples: são mais difíceis de produzir com a boca.
Os sons não chegam todos juntos
Sons como o p, o m e o b aparecem cedo, porque só dependem de fechar os lábios. Já o r do "prato" e o lh do "molho" pedem movimentos finos de língua, e é normal que apareçam bem mais tarde.
O que costuma ligar o alerta
- Pessoas de fora da família não entendem o que ela fala
- Ela evita falar ou fica frustrada quando não é compreendida
- A escola comentou mais de uma vez
- A troca aparece também na escrita, quando já está alfabetizada
- Alguém em casa teve dificuldade parecida na infância
Esse último ponto costuma surpreender os pais, mas conta: alterações de fala têm um componente familiar reconhecido.
Por que não vale só esperar
"Ele vai falar direito quando crescer" às vezes se confirma. O problema é que, quando não se confirma, a criança já entrou na alfabetização carregando a dificuldade — e aí ela deixa de ser só de fala e passa a atrapalhar a leitura e a escrita.
Uma avaliação não compromete ninguém a nada. Em boa parte dos casos que atendemos, a conversa termina com "está tudo dentro do esperado, volte daqui a seis meses se quiser". E quando não está, começar mais cedo quase sempre significa terminar mais rápido.
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