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Meu filho troca letras. É normal na idade dele?

Maria Clara Martins Pace · fonoaudióloga · 12 de agosto de 2026

É a pergunta que mais chega no nosso WhatsApp, quase sempre depois de uma conversa com a professora. E a resposta honesta é: depende da idade e de qual som.

Trocar sons faz parte do caminho. Nenhuma criança acorda um dia falando tudo certo — ela vai conquistando os sons aos poucos, e alguns demoram mais que outros por um motivo simples: são mais difíceis de produzir com a boca.

Os sons não chegam todos juntos

Sons como o p, o m e o b aparecem cedo, porque só dependem de fechar os lábios. Já o r do "prato" e o lh do "molho" pedem movimentos finos de língua, e é normal que apareçam bem mais tarde.

Uma criança de 3 anos que fala "tarro" no lugar de "carro" está dentro do esperado. Aos 5, a mesma troca já merece uma avaliação.

O que costuma ligar o alerta

  • Pessoas de fora da família não entendem o que ela fala
  • Ela evita falar ou fica frustrada quando não é compreendida
  • A escola comentou mais de uma vez
  • A troca aparece também na escrita, quando já está alfabetizada
  • Alguém em casa teve dificuldade parecida na infância

Esse último ponto costuma surpreender os pais, mas conta: alterações de fala têm um componente familiar reconhecido.

Por que não vale só esperar

"Ele vai falar direito quando crescer" às vezes se confirma. O problema é que, quando não se confirma, a criança já entrou na alfabetização carregando a dificuldade — e aí ela deixa de ser só de fala e passa a atrapalhar a leitura e a escrita.

Uma avaliação não compromete ninguém a nada. Em boa parte dos casos que atendemos, a conversa termina com "está tudo dentro do esperado, volte daqui a seis meses se quiser". E quando não está, começar mais cedo quase sempre significa terminar mais rápido.

Ficou em dúvida sobre o seu filho?

A avaliação é uma conversa, com brincadeira, sem nada invasivo. Se preferir, mande sua dúvida antes pelo WhatsApp — a gente responde.

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